

Simbolismo da Flor de
Lótus
A flor de Lótus é venerada na Índia e no Japão, e Oráculo disse que essa era a flor
símbolo da espiritualidade; a mais admirada de todas, do
"lado de lá", por suas qualidades. A semente de Lótus
pode, por exemplo, ficar mais 5.000 anos sem água,
somente esperando a condição ideal de umidade pra
germinar. Ela nasce na lama e só se abre quando atinge a
superfície, onde só então mostra suas luminosas e
imaculadas pétalas, que são autolimpantes, isto é, têm a
propriedade de repelir microrganismos e poeiras. É
também a única planta que regula seu calor interno,
mantendo-o por volta de 35º, a mesma temperatura do
corpo humano. O botão da flor tem a forma de um coração,
e suas pétalas não caem quando a flor morre, apenas
secam. Assim, para os Chineses, o passado, o presente e
o futuro estão simbolizados, respectivamente, pela flor
seca, pela flor aberta e pela semente que irá germinar.
Nas gravuras indianas, deuses costumam aparecer em pé ou sentado
sobre a flor. Isto ocorre com as representações do deus
elefante (Ganesha), Lakshmi — a deusa da
prosperidade — e Shiva, O destruidor. Krishna
têm a seus pés algumas flores de Lótus, que são chamados
pada-kamala (pés-de-Lótus). A tradição budista
nos relata que quando
Siddhartha (que mais tarde se tornaria o Buda) tocou
o solo e fez seus primeiros sete passos, sete flores de
lótus cresceram. Representa, assim, que cada passo do
Bodhisattva é um ato de expansão espiritual. Tanto
que o conhecimento espiritual supremo é comparado ao
florescimento do Lótus de mil pétalas no topo da
cabeça, como é chamada a expansão do chakra coronário, e
seria o equivalente à
auréola dos santos da Igreja Católica.
Mais que
uma planta, um símbolo sagrado
Lótus,
planta aquática da família das ninfeáceas. É conhecida
também por lótus-egípcio, lótus-sagrado ou
lótus-da-índia e é nativa do sudeste da Ásia, mormente
Japão, Filipinas e Índia. Possui flores brancas e em
geral é cultivada com fins de ornamentação. A espécie
foi empregada pelos antigos na fabricação de pão e uma
espécie de bebida. Segundo estudiosos, servia como
alimento ao povo da Líbia. De acordo com algumas lendas
gregas seu suco teria a propriedade de gerar nos
estrangeiros a vontade de permanecer na terra e não
regressar. Na África setentrional existia um povo que se
alimentava desta planta. É identificada em nossa cultura
brasileira como vitória-régia (também da família das
Ninfáceas) nativa das regiões amazonenses. Algumas
espécies florescem na região do Mato Grosso e nas
Guianas.
A planta
cobre as planícies alagadas do oriente do Egito à China
e é uma paixão asiática cultivada desde tempos remotos.
É venerada em todo o mundo por milhões de pessoas que a
consideram o símbolo máximo da pureza espiritual. Chegou
ao ocidente no século IV antes de Cristo. Presenteados
pelos egípcios, foram os gregos os primeiros a
conhecê-la. A flor espalhou-se pelo restante da Europa,
onde foi apreciada por sua beleza, particularmente pelos
pintores. A história conta que certos povos da América
Central já a conheciam. Sacerdotes do México, por
exemplo, embriagavam-se com o efeito alucinógeno
produzido por um extrato da planta pouco antes dos
primeiros espanhóis pisarem na América. No Brasil, o
lótus foi trazido pelos japoneses no século de XX.
Mas a fama
da flor de lótus transcende o âmbito espiritual e seu
fascínio atinge também os estudiosos da botânica. Há
muito tempo que estes especialistas tentam desvendar
alguns enigmas que a planta segreda. Pesquisadores da
universidade de Adelaide na Austrália, por exemplo,
estudam uma estranha característica da flor: assim como
os seres humanos, ela é capaz de manter sua temperatura
em torno de 35 graus. Esse sistema de auto-regulação de
calor, compreensível em organismos complexos, como
ocorre com os mamíferos, continua inexplicável para a
ciência.
Ainda
outros cientistas do instituto botânico da universidade
de Bonn, na Alemanha, estudam outra curiosidade do
lótus: suas folhas são auto-limpantes, isto é, têm a
propriedade de repelir microrganismos e poeiras. Devido
a isto consideram-na potencialmente útil para ser
aplicada na limpeza doméstica e afins.
Entretanto,
apesar de sua unânime beleza, sua utilidade polivalente
- especialmente na esfera medicinal, das curiosidades
que suscita, e das lendas que inspirou, indubitavelmente
sua representatividade destaca-se no plano metafísico.
O mantra do
lótus
É isso
mesmo, o lótus possui um cântico sagrado!
Imagine a
cena: a fumaça do incenso envolve como nuvem os monges
budistas do templo Doi Suthep, construído no século XIV
nos arredores da cidade de Ching Mai, no norte da
Tailândia. Como é corriqueiro, ao amanhecer eles estão
lavando as mãos nos botões rosados da flor de lótus
espalhando um perfume suave no ar. Com a voz grave
ritualmente os monges começam a murmurar o mani padami
(OM
MANI PADME HUM), um dos principais mantras do budismo - originário do
antigo idioma sânscrito. A frase exaustivamente repetida
significa: “Ó jóia preciosa do lótus”. Terminado o
ritual eles depositam uma quantidade tão grande de lótus
sobre os pés de Buda que quase soterram a imagem
sagrada.
Esse
cenário religioso permeia milhões de pessoas de vários
países asiáticos que igualmente crêem que o mantra do
lótus tem a capacidade de transformar as pessoas em
seres puros e iluminados, como o próprio Buda. As
palavras sagradas deste canto estão gravadas nas
bandeiras, nos sinos que alertam para as cerimônias, em
artigos como anéis e pulseiras, nos enormes moinhos de
orações que são girados nos templos pelos toques das
mãos dos fiéis etc. Destarte, o “aroma” do lótus
impregna o Tibete, Tailândia, Índia, Butão, Indonèsia,
China e é raro encontrar um país da Ásia onde o lótus
não seja considerado sagrado.
O lótus no
budismo
Nas
pinturas tibetanas linhagens de budas e homens santos
aparecem flutuando sobre flores de lótus - uma
representação dos tronos da suprema espiritualidade. Nas
escrituras budistas, no Tibete, conta-se que
milagrosamente o pequeno Buda já podia andar ao nascer e
que a cada passo que a criança “iluminada” dava,
brotavam-lhe flores de lótus de suas pegadas – uma das
assinaturas de sua origem divina. Hoje muitos monges e
fiéis dessa religião visualizam esta mesma cena enquanto
caminham, imaginando que flores de lótus surgem debaixo
de seus pés. Com esta prática acreditam estarem
espalhando o amor e a compaixão de Buda simbolizados
pela flor.
O Budismo
afirma que Sidarta Gautama (nome histórico de Buda),
possui olhos de lótus, pés de lótus e coxas de lótus. O
Guru que introduziu o budismo no Tibete é denominado
Padmasambhava, que significa aquele que nasceu do lótus.
O lótus no
hinduísmo
Na Índia a
planta está relacionada com a criação do mundo. De
acordo com as escrituras indianas foi do umbigo de Deus
Vishnu que teria nascido uma brilhante flor de lótus e
desta teria surgido outra divindade, isto é, Brahma, o
criador do cosmo.
Nas
gravuras indianas deuses costumam aparecer em pé ou
sentado sobre a flor. Isso ocorre com as representações
do deus elefante, Ganexa de Lakshmi - a deusa da
prosperidade e de Seiva - o destruidor. Também existe a
crença de que o conhecimento espiritual supremo é
comparado ao florescimento de uma flor de lótus na
cabeça.
O lótus
também é essencial para a prática da ioga. Assim como
não se pode conceber hinduísmo sem ioga, não se pode
conceber ioga sem o lótus. A ioga é prática basilar do
compêndio doutrinário hindu e “representa o caminho
seguido para se perceber o Deus interior”. Desenvolve-se
por meio de práticas avançadas de meditação que requerem
a observância de uma posição específica do corpo,
mormente a posição sentada que é denominada “Padmasana”
ou “Postura de Lótus” na qual os pés são colocados sobre
as coxas do lado oposto. Acreditam que a posição do
lótus “propicia” o aumento da consciência interna e
induz a calma profunda se o praticante associar à
postura a filosofia da ioga adequadamente.
Pegando uma
“carona” nas crenças hindus, os esotéricos não deixam de
dar a sua contribuição com uma parcela de significados
“espiritualistas” à flor. Estes crêem que a flor vista
de cima infere uma idéia de interiorização, introspecção
e centralização, vista de perfil alude a postura de um
iogue sentado com um raio de luz emanando dele.
O lótus na
mitologia egípcia
No interior
das pirâmides e nos antigos palácios do Egito o lótus
também é representado como planta sagrada pertencente ao
mundo dos deuses. A exemplo da crença indiana sua flor
testemunha a criação do universo. Um dos mais
interessantes relatos da mitologia egípcia sobre a
origem de nosso planeta conta que num tempo muito
distante, quando o universo ainda não existia, um cálice
de lótus com as pétalas fechadas flutuava nas trevas, um
relato que faz lembrar a declaração bíblica que diz: “E
a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a
face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a
face das águas” (Gn 1.2, grifo do autor). Entediada com
o vazio, a flor pediu ao deus-Sol Rá (uma divindade
andrógina, simultaneamente masculina e feminina) que
criasse o universo. Tendo criado, a flor agradecida pelo
desejo realizado passou a abrigar o deus-Sol em suas
pétalas durante a noite de onde ele sai ao amanhecer
para iluminar a sua criação.
O lótus e o
sexualismo chinês
Já os
chineses tinham uma outra interpretação um tanto quanto
exótica. Associavam a flor ao órgão genital feminino.
Segundo
informam os pesquisadores franceses Jean Chevalier e
Alain Cherbrant no livro dicionário de símbolos, na
China antiga não havia elogio melhor para uma cortesã do
que ser chamada de “lótus de ouro”. Explica-se assim
porque entre os chineses a planta é associada ao
nascimento e a criação. Mesmo assim o lótus não deixa de
contribuir religiosamente para a tradição religiosa
daquele país. A deusa do amor e da compaixão Kuan Yin -
a mais venerada entre as divindades chinesas femininas,
é representada com flores de lótus ainda fechadas nas
mãos e nos pés. Como o botão da flor tem o formato de
coração, os fiéis acreditam que a planta teria o dom de
aflorar os sentimentos amorosos. Os chineses acrescentam
ainda outras qualidades preciosas à lótus. Segundo eles,
a haste dura simboliza a firmeza, a opulência de
sementes estaria relacionada a fertilidade e
prosperidade, as folhas - como nascem juntas -
indicariam felicidade conjugal. O passado, presente e o
futuro também estão simbolizados respectivamente pela
flor seca, pela aberta e pela semente que irá germinar.
Além de
tudo, segundo a medicina chinesa, a planta é consumida
principalmente como chá por possuir qualidades
terapêuticas que vão desde a cura de doenças renais e
pulmonares até o combate do estresse e insônia.
Curiosidades sobre a planta
Origem:
Sudeste da Ásia
Família:
Ninfeáceas
Porte:
Sua haste pode alcançar mais de um metro acima do nível
da água.
Período de
floração:
primavera e início do verão
Flores:
Produz flores brancas, cor-de-rosa ou brancas com as
bordas rosadas.
Multiplicação:
por meio de sementes ou divisão de rizomas
Luminosidade:
sol pleno
Esoterismo:
Os povos orientais têm esta flor como símbolo da
espiritualidade, pois acreditam que ela desabrocha aqui
na Terra somente depois de ter nascido no mundo
espiritual. O lótus também representaria a pureza, pois
emerge limpa e imaculada do meio de águas turvas e
lodosas.
Cultivo:
Pode ser cultivada em vasos imersos, tanques de jardim,
lagos ou lagoas. Seu cultivo em vaso necessita de 2
partes de terra argilosa, 1 parte de esterco bovino bem
curtido ou composto orgânico. Por ser uma planta
aquática dispensa regas.
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